Como acabei indo parar no ACRE | PROJETO RONDON - Mundo Viajante

Como acabei indo parar no ACRE | PROJETO RONDON

Publicado em 21/09/2020

Hoje venho dividir com vocês como foi minha experiência pessoal no Projeto Rondon. Em um artigo anterior comentei tudo que um estudante precisa fazer para participar, se quiser saber mais é só seguir o link abaixo:


Link "PROJETO RONDON: Tudo o que você precisa saber para participar"


mulher na mata com chapeu e colete  amarelo do projeto rondon


Então, vamos lá...

Sempre me senti privilegiada por estar em uma universidade pública, até por isso sempre enxerguei os projetos de extensão como sendo importantes retornos sociais. 

Mas muito além disso, sempre achei fundamental conhecer a realidade brasileira em que vivemos e por consequência sair da nossa zona de conforto.


Portanto, o Projeto Rondon se encaixava perfeitamente com a minha visão de mundo e me apaixonei mais ainda quando escutei a experiência de alguns amigos que participaram.

Então, depois de fazer mil perguntas sobre como foi a experiência deles no projeto, só me restava uma coisa: Falar com o professor Roberto, que por anos participa como coordenador do Rondon na FClar. 

Incrivelmente de imediato eu já gostei do professor Roberto, a minha primeira impressão dele era de alguém humilde e carismático. 

Mas como a vida é uma caixinha de surpresas, logo após conversar com ele fui selecionada para um intercâmbio acadêmico na Universidade Nacional de Corbada - Argentina, fiquei muito feliz com a notícia e ao mesmo com o coração apertado porque talvez isso significasse que eu não poderia participar do Rondon. 


Digo isso, porque o Projeto vem ganhando notoriedade e com isso mais alunos querem participar. 

Porém, sou daquelas que não desistem fácil e assim que voltei para a terrinha da laranja em Araraquara fui direto entrar em contato com o professor Roberto. (para ser sincera eu mantive contato enviando mil e-mails pra ele kk) 

Ele já estava com uma proposta em andamento e a equipe quase formada. Por isso, me indicou o contato de uma outra professora na unidade da odonto na Unesp de Araraquara. 

Bom, no fim o destino fez com que não desse certo a minha participação na Odonto e acabei entrando na equipe do nosso querido Robertão. 



Diferente de outras unidades, na Fclar os alunos participam na execução da proposta e isso é algo muito enriquecedor, pois aprendemos a fazer um levantamento geográfico socioeconômico sobre a região do edital. 

Eu aprendi muito nessa etapa e foi fundamental para já começar a conhecer meus colegas de equipe.

Nos dedicamos muito na elaboração da proposta e com total emoção fizemos o envio nos 2 minutos de acréscimo do segundo tempo kk. 

Viver com emoção, não é mesmo?

Os frutos não poderiam ser melhores, alguns meses depois recebemos a notícia de que o projeto havia sido aprovado com boa pontuação. Fiquei animada em saber que iria para o Acre, já que é um estado diferente de tudo que eu conhecia no Brasil. 


Quando descobrimos que o município que iriamos era Capixaba, fomos pesquisar tudo sobre o nosso destino no Acre. Com isso o tempo foi passando e a minha ansiedade aumentando, os preparativos foram tranquilos até que chegou o grande dia de ir rumo ao Acre. 


Nos encontramos na Unesp de Araraquara para sermos levados para o aeroporto de Campinas, lembro com carinho dos momentos de muitas risadas antes de embarcarmos. 

Chegamos em Viracopos já de madrugada e tivemos que esperar até as 6h da manhã para embarcarmos, foi um momento de descontração, onde alguns dos meus colegas (Leo) estava super animado por voar de avião pela primeira vez. 


Fizemos uma conexão em Brasília e fomos rumo ao aeroporto de Rio Branco no Acre, chegando lá fomos recepcionados pelos militares do esquadrão da selva. 


É bacana ter a experiencia de estar em um batalhão do exército pela primeira vez, até mesmo para quebrar alguns preconceitos que temos antes de perceber que tudo na vida tem dois lados. 


Logo que chegamos no batalhão fomos apresentados ao nosso “anjo”, ou seja, o militar responsável por nos acompanhar durante toda a operação. 

Incrivelmente o sobrenome do nosso “anjo” era “Dos Anjos”, um trocadinho divertido da vida. Ele era um cara bacana e bastante pacífico, acredito que no final é a melhor postura quando se é responsável por 20 pessoas. 


Os alojamentos foram divididos entre homens e mulheres, sendo que em cada cama havia um bilhetinho de boas-vindas e um chocolate. 

No batalhão havia regras como não usar vestimenta inadequada e sempre estar uniformizado com a camiseta/colete do Projeto Rondon. 

Os horários das refeições e as atividades que seriam desempenhadas naqueles próximos dias foram bastante pontuais, até por isso eu deixei de tomar café da manhã vários dias para dormir alguns minutos a mais haha


Fomos o segundo grupo a chegar no batalhão e por isso tivemos o privilégio de conhecer a capital de Rio Branco antes de irmos para o município designado. 

Acabamos indo ao centro conhecer o mercadão municipal, onde alguns compraram lembrancinhas e bombons de cupuaçu. (incrivelmente deliciosos)




Após passear pelas redondezas, fomos conhecer o Parque Estadual Chico Mendes, onde ficamos até o fim da tarde. É interessante perceber quanta biodiversidade o Acre tem e confirmar que lá já não existem dinossauros. 


Quando todos os rondonistas e coordenadores chegaram no batalhão tivemos algumas atividades e treinamentos na selva, onde eu acabei no ambulatório e fui muito bem tratada pelos profissionais de lá. 

Inclusive o médico que me atendeu disse que já havia morado em Araraquara e isso acabou rendendo um bom papo. 


É bacana lembrar como meus amigos de equipe estiveram ao meu lado nesse dia, assim que voltei do ambulatório recebi abraços de todos e me senti muito amada. 

Mas voltando para as partes boas, no Rondon tudo era uma grande novidade, inclusive o kit do rondonista que contava com camisetas, colete, mochila, garrafinha, blocos de anotação e até um chaveirinho. 


Uma pena que perdi minha caneca, acho que deveriam incluir um tirante estilo Interunesp 😉

A cerimonia de abertura da operação foi um pouco antes de irmos para Capixaba, aconteceu na Universidade Federal do Acre e contou até com a presença da Orquestra Militar que incusive tocou a melodia da Abertura de Game of Thones haha. 


Como o Projeto Rondon possui dois conjuntos principais de atuação, cada município recebe duas equipes. Um responsável por atividades relacionadas a Cultura, Direitos Humanos e Justiça, Educação e Saúde. 

E a outra equipe fica responsável pelas atividades relacionas a Comunicação, Tecnologia e Produção, Meio Ambiente e Trabalho. 

Participei desse último, chamado de conjunto B. Já outra universidade designada a ir para Capixaba pelo conjunto A, foi a Federal do Rio Grande do Sul.

Logo que chegamos em Capixaba fomos muito bem recepcionados por representantes da prefeitura, inclusive a mesa que nos esperava estava cheia de fartura. 

Minha primeira impressão de Capixaba foi de um lugar acolhedor e com gente muito humilde, nas primeiras noites por incrível que pareça tivemos frio e chuva. 




Mas, isso passou rapidinho e dois dias depois já fazia um calor de 40º. 

Desenvolvemos diversas oficinas planejadas e nos adequamos ao cronograma conforme a necessidade, em especial me marcou muito a oficina de “Publicidade e Comunicação no Setor Público– Uso do CANVA” onde eu e minha amiga rondonista Ananda ministramos. (Ela virou minha parceirinha de Rondon, só agradecimento pelas amizades que fiz no caminho)

Foi uma experiencia que guardo com carinho, pois os conhecimentos que mostramos ali foram colocados em prática logo depois. 


E quando estávamos passando pela prefeitura de Capixaba e vimos um banner feito através do Canva, tive a sensação de dever cumprido. 


Uma grande vantagem de fazer parte de uma equipe multidisciplinar como a nossa, foi ter experiências com diversas áreas, como por exemplo na área ambiental em que plantamos e distribuímos mudas de arvore em uma escola rural. 



Espero de coração que a primeira arvore que plantei na vida esteja grande e forte haha




Claro que nem tudo é perfeito, sendo que em projetos de extensão precisamos ir nos adequando as circunstâncias, como por exemplo alguns problemas de convívio com a outra equipe ou as oficinas que esperávamos um público maior. 

No fim isso acabou sendo muito importante para aprendermos como lidar com as adversidades. 

Até porque os altos e baixos da vida são etapas comuns e o mais importante disso tudo é não perder de vista o proposito maior pelo que estamos lutando. 

Minha percepção é de que os alunos do Rondon sempre agem de acordo com o reflexo dos seus coordenadores, por isso sou muito grata por ter tido os professores Roberto e Aristeu ao meu lado. Eles foram e são exemplos de dedicação e empatia. 



Falando mais sobre Capixaba, tivemos contato com pessoas muito competentes que se organizavam em cooperativas de agricultores, isso me ensinou como a união é o principal caminho para o sucesso coletivo. 


Além disso, o conhecimento de vida que as pessoas de Capixaba têm deveria ser documentado. Uma pessoa que me marcou muito se chama Dona Marisa, não apenas pela sua comida incrivelmente deliciosa (provei baixaria, sim é algo de comer), como também por todo seu conhecimento em ervas medicinais. 

Tenho muito a agradecer pelo carinho que recebemos, inclusive quando tive dor nas costas foi a massagem da Dona Marisa que fez com que eu melhorasse. 

Junto com a dona Marisa, tivemos a oportunidade de conhecer parte de sua família como sua filha Grazi que esteve conosco todo esse tempo. Eu via a Grazi como uma menina inteligente e sonhadora, porém com poucas oportunidades devido as circunstâncias da vida. Isso me mostrou como a desigualdade social no Brasil é um problema que devemos nos preocupar diariamente e que oportunidades iguais a todos podem realmente levar a mudanças significativas. 

A tia da Grazi tinha um menininho de 2 anos chamado Samuel e ele foi a alegria da casa em que ficamos. 


Trabalhamos dia após dia em Capixaba através das nossas oficinas e com passar do tempo a equipe da Unesp foi se unindo cada vez mais. 

Posso dizer que cada um deles tem um espaço no meu coração e amei a oportunidade de ter tido uma equipe tão bacana, inclusive eles eram muito compreensíveis com a minha sonolência a partir das 22h haha


Nossas oficinas foram importantes tanto para a conscientização como para novos aprendizados. 

Esses aprendizados não sendo apenas de nós para eles, mas principalmente deles para nós. 


Tratar de temas ambientais como coleta seletiva e compostagem ao mesmo tempo construir uma horta orgânica, são experiências e aprendizados únicos. 

Porém, somado a isso também conseguir tratar de temas como o Sistema Único de Saúde e Cooperativismo, mostram como uma equipe multidisciplinar sempre é a melhor escolha em projetos de extensão universitária. 


Sobre meus principais aprendizados no Projeto Rondon, o primeiro é de como a união coletiva é necessária. Além disso, estar no Acre abriu ainda mais meus olhos sobre a desigualdade social brasileira e como devemos lutar hoje e sempre para uma vida melhor para as próximas gerações. 


Já em relação as pessoas de Capixaba, só tenho boas recordações e aprendizados. Vou eternamente sentir falta de tomar picolé de Cupuaçu no fim da tarde. 


Por coincidência, tivemos a sorte e o prazer em participar da festa junina de Capixaba, apesar de não termos ganhado nada no bingo foi muito divertido. 


Através das canções e melodias dos meus amigos Ernesto e Marcelo os momentos eram alegres, sempre indico ter amigos que saibam tocar violão. 

Mas não podemos deixar de lembrar quando cantamos todos juntos no dia do aniversario de 71 anos do professor Roberto, que inclusive completava a 19º operação como coordenador.


Depois de dias de trabalho duro em um clima quente e úmido se iniciaram as despedidas da cidade de Capixaba. 

Lembro com carinho dos momentos de descontração e guerra de bexigas, acho que me senti uma criança de 10 anos. No fundo ser criança as vezes faz bem para a alma, não é mesmo?


Tivemos um churrasco de despedida realizado pela prefeitura e só tenho que agradecer por toda a cortesia. 

No nosso último dia em Capixaba chorei como um bebê ao me despedir de todos, espero que sintam meu carinho eterno.


Acredito que só não chorei mais que o Leo, já que ele havia criado um carinho imenso por uma cachorrinha que adotamos, nossa dog Rondoca, que ficou sob os cuidados de Grazi, porém as últimas notícias dizem que ela voltou para o mundão. 

Já de volta ao quartel de Rio Branco, tivemos nossa cerimonia de encerramento na Federal do Acre. Com nosso troféu na mão, só houve sorrisos de gratidão. 


E Claro que eu e a Ananda não poderíamos perder a oportunidade de agradecer as palavras da reitora da Federal do Acre que acredita no ensino superior público universal.


Já de volta ao quartel tivemos um almoço de encerramento e finalmente a autorização para usar a piscina. (Dias de Luta e Dias de Gloria hahaha)


Acho que os acontecimentos dessa tarde podemos contar na nossa reunião de 10 anos da Operação Vale do Acre, agora só faltam 9 aninhos haha. 

Nossos últimos dias no quartel foram encerrados com um trote de tiros na última noite.
(Trote de tiros ao céu como homenagem foi uma novidade, mas que não deveria acontecer as 5h da manhã kkk)

Formatura de recrutas do exército (Inicio da Operação)

E assim se encerrou mais um capítulo importante da minha vida: Ao Projeto Rondon e a UNESP meus agradecimentos, aos meus companheiros de equipe só posso dizer que não existiria equipe melhor e as pessoas de Capixaba meu carinho eterno. 

Se você tem mais duvidas ou gostaria de participar, acesse aqui: site oficial do Projeto Rondon.




Lembrando que são apenas as minhas opiniões e reflexões, sem nenhuma relação com qualquer outro envolvido no projeto.


Responsável pelo Projeto RONDON na FCL/UNESP/CAMPUS DE ARARAQUARA: Professor Roberto Carlos Miguel, vinculado ao departamento de Psicologia da Educação.
Contato: roberto.miguel@unesp.br


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